#41 - Ice Mirage!





Olá amigos, o meu nome é Katie e eu serei a vossa guia por este capítulo, então, na ultima vez que nos vimos, a nossa guilda recebeu um pedido do senhor Giovanni, um dos homens mais influentes de todo o mundo, para muitos é o futuro governador de Kanto, ele estava bastante preocupado com o pânico gerado pelo aviso recente de Yutto e nos incumbiu a missão de encontrar as lendárias aves guardiãs, Articuno, Zapdos e Moltres e assim conseguir sua ajuda para acalmar as pessoas.

A nossa primeira paragem foi em Cinnabar, uma ilha paradisíaca com umas praias lindas e luxuosos hotéis, daqueles que só as pessoas com muito dinheiro podem usufruir,  também é aqui que existe um dos maiores e mais importantes laboratórios de pesquisa de todo o mundo, o seu líder é um velho senhor, chamado Blaine, ele parece que conhece a história do meu passado e penso que esteja na hora de a revelar a todos vocês.

Para isso teremos de recuar dez anos no tempo, a altura da grande guerra que ocorreu por toda a parte, incluindo na aldeia em que eu vivia, Lunar Village.

Esta pequena aldeia era habitada por cerca de 70 pessoas, algo bem pequeno, as casas eram feitas de pedra e estavam dispersas pelo terreno, o chão era também ele feito de pedra, mas todo esburacado, como se ninguém tratasse dele, também não precisavam dele, pois toda a gente conseguia levitar, ah sim, deveria ter dito logo isto, esta aldeia é pequena, pois apenas aqueles que conseguem dominar energias psíquicas, podem viver aqui.

Eu vivia aqui com meus pais e minha irmã, Sabrina, ela era a filha perfeita, aos quatro anos já conseguia levitar objectos com a mente, aos sete, já conseguia levitar sem pisar o solo, os meus pais tinham imenso orgulho nela, já em mim... nem por isso.

O meu pai fazia parte das tropas defensoras de Kanto, um grande guerreiro controlador de energia psíquica e uma noite, quando o inimigo apareceu em Lunar Village, ele estava lá para a proteger, juntamente com os outros adultos, eles combateram com bravura, tentando impedir que os soldados inimigos entrassem na nossa aldeia, mas um deles conseguiu, um homem que conseguiu formar clones para serem atacados pelos defensores, enquanto ele se esgueirava para dentro de uma casa, logo por azar tinha de ser a minha.

Enquanto os nossos guerreiros combatiam, mulheres e crianças eram escondidas em um bunker, onde ninguém seria capaz de detectar nossa presença, no entanto, eu, que tinha feito cinco anos há alguns dias atrás, estava demasiado curiosa para saber o que eram aquelas explosões, eu via o temor no rosto daquelas mulheres e de seus filhos, menos minha irmã, ela continuava serena como sempre, meditando enquanto o seu corpo levitava. Minha curiosidade me levou a aproveitar que como ninguém reparava em mim, por estarem demasiado concentrados no seu medo, e me esgueirei para fora do bunker, assim que sai, meus olhos viam um cenário de destruição ao longe, corri para dentro de minha casa, esquecendo completamente que minha mãe e irmã estavam naquele bunker, só me queria proteger.

Entrando em casa procurei minha família, mas foi ai que me apercebi que eu estava no lugar errado, elas não estavam ali, eu havia acabado de fugir de onde elas estavam, tentei voltar mas era tarde demais, um homem de cabelos vermelhos como o sangue se coloca na minha frente, era o tal fugitivo, ele vestia um camuflado e os seus olhos eram sinónimo de maldade, eu estava assustada e tentei escapar, mas minhas pequenas pernas não conseguiam correr depressa, logo aquele homem me empurra com o seu grande braço, me fazendo bater com o rosto no armário da sala.

— Hehe pensei que esta aldeia tivesse sido evacuada, me diga garotinha, onde estão as outras? — Eu não conseguia falar, meu corpo tremia e meus olhos começavam a deixar escapar as lágrimas provocadas pelo medo que eu sentia naquele momento, mas o homem não desistia, estava cada vez mais impaciente — fale logo sua peste, me diga onde estão as mulheres e crianças desta aldeia — ele me agarrou pelos cabelos e me levantou no ar sem dificuldade, eu gritava, chorava, esperneava, mas não havia nada que pudesse fazer. Mas é então que um vaso se quebra na nuca deste homem, fazendo-o me largar — quem fez isso?

— Seu lugar deveria ser no campo de batalha junto dos seus amigos e não procurando mais vitimas, seu covarde — era Sabrina que se apercebera da minha ausência e se teleportou para casa, ela tinha apenas oito anos, mas era muito corajosa.

— Outra peste? Você acha mesmo que me pode dar ordens? Hahahaha não me faça rir — o homem junta os braços ao seu peito e começa a concentrar uma grande quantidade de energia — me dê lá ordens agora — o inimigo sorria sadicamente enquanto preparava um golpe de energia, mas Sabrina nem se importava com a pressão, o seu olhar continuava sereno e calmo.

— Morra! — A minha irmã abriu os braços e uma aura cor de rosa tomou conta do seu corpo, a principio o homem continuava sorrindo, mas logo o seu rosto mudou de expressão, ele começou a sofrer dores estranhas, sua energia se extinguiu e ele cai no chão, tossindo e vomitando sangue negro.

— O que você está fazendo sua bruxa... — o inimigo se arrastava tentando chegar junto de Sabrina, mas esta nem se movia, seus olhos brilhavam intensamente com a cor da sua aura enquanto o homem começa se contorcendo todo, seu pescoço vira e ouve-se ele quebrar.

 Um pequeno sorriso surge no rosto de Sabrina, ela estava satisfeita por ter levado a vida daquele homem, já eu, estava aterrorizada com aquele cenário.

— Se você não fosse tão fraca, eu não precisaria de intervir — a minha irmã levitou até junto de mim e me pegou no braço, nos transportando de novo para o bunker, onde minha mãe me deu uma bofetada por ter fugido.

— Sua idiota, seu pai está lutando para a manter viva e você foge desse jeito? Por que não consegue ser mais como sua irmã?

Eu não tive reação após as palavras de minha mãe, me sentei em um canto escuro, esperando que o perigo passa-se, horas depois os guerreiros abriram o bunker falando que haviam expulsado o inimigo e que estávamos seguros. Voltando a casa, minha mãe conta ao meu pai o que eu havia feito e seus olhos de julgamento se viram para mim.
— Você é uma inconsciente, além de ser uma vergonha para nossa família, tentou por sua vida em risco apenas para chamar a atenção, você não tem energia psíquica dentro de si, é um completo falhanço e um embaraço para mim — os seus olhos era como se penetrassem minha alma e eu não conseguia nem responder.

Essa noite dormi no meu quarto, olhando o céu estrelado, quando ouço a porta abrir, minha reação é me esconder debaixo das cobertas e fingir que estava dormindo, não fosse levar mais uma repreenda, meu pai me destapa e me olha de novo com aqueles olhos assustadores, vejo sua mão levantar e depois disso apaguei, ele havia usado Hipnosis para me fazer dormir.

Senti meu corpo gelado, tentei puxar pelas cobertas mas não achava nada, abri os olhos e tudo á minha volta estava branco, me levantei e vi que ainda estava usando meu pijama cor de rosa, olhei em volta e percebi, meu pai me abandonara em uma montanha gelada, eu era a vergonha da família, então não merecia fazer parte dela nem da vila.

Deixada para morrer, eu me deitei esperando que o gelo levasse minha vida, mas foi ai que uma sombra gigante passa sobre meu corpo, eu abro os olhos e vejo duas longas asas azuis como o céu, libertando um fresco aroma, nesse momento eu deixei de sentir frio, uma ave gigante aterra na minha frente, deveria sentir medo, mas pelo contrário, me senti muito bem, um sentimento que nunca tinha tido antes.

Aquele era Articuno, a lendária ave do gelo, que guia aqueles que se perdem na montanha, os seus olhos meigos comunicavam comigo, era como se ele tentasse me dizer "Vai tudo ficar bem, você está em casa". Este foi o dia em que o conheci, nunca mais voltei a ver minha família depois disso, Articuno me treinou e me fez aprender as técnicas de gelo, eu havia descoberto meu elemento espiritual.

Os anos foram passando e eu me tornava mais forte a cada dia que passava, aquela montanha se tornou minha casa, conhecia todos os cantos e recantos, todas as criaturas que ali habitavam se tornaram minhas amigas e isto nos leva até há três anos atrás, o dia em que uma organização criminosa de nome Team Rocket, atacou Navel Island, uma ilha a nordeste de Cerulean City.

Estes criminosos tentavam buscar por uma pedra rara que havia chegado ao museu daquela ilha, eu estava apenas de passagem, observando as lojas, quando vejo um helicóptero sobrevoando o museu, lançando bombas de fumo pela cúpula de vidro que o cobria por cima, as pessoas que se encontravam no museu corriam com as mangas da camisa e lenços tapando os narizes e bocas, eu deveria ter fugido com elas, mas novamente minha curiosidade levava o melhor de mim e eu corri tentando perceber se alguém precisava de ajuda.

Dentro do museu eu os vi, homens de vestes negras com um R estampado no peito, eles seguravam uma esfera azul, conhecia como Ice Sphere, uma pedra muito rara, cuja lenda diz que foi dela que nasceu Articuno, eu senti uma atração intensa por essa pedra, meus olhos brilhavam com a mesma cor dela, me fazendo entrar em transe.

Os Rockets tentaram me atacar, um deles chegou mesmo a me acertar com o seu braço, me fazendo bater com o rosto em um armário, me lembrei da minha infância, do dia que aquele homem atacara minha casa, mas dessa vez eu podia me defender.

— O que vai fazer garotinha? Saia daqui antes que se magoe — ordenou aquele Rocket com um sorriso parvo no rosto, o que me deixou enraivecida. Comecei a concentrar meu poder e juntei os meus braços formando uma rocha de gelo com minhas mãos.

— Ice Shard! — A rocha sai disparada contra a cabeça do Rocket, o projetando para trás, foi a primeira vez que eu ataquei uma pessoa, até aquele dia, tinham sido apenas árvores e rochas.

Os outros ficaram irritados com a minha interrupção e tentaram me atacar, no entanto, uma voz feminina ordena que eles cessem o ataque, logo uma mulher alta se destaca ao sair de entre eles, ela tinha os cabelos curtos, de cor púrpura e penteados para trás, o seu olhar era rasgado e ameaçador, não consegui evitar e engoli a seco perante aquela presença. Ela usava um roupão branco até aos pés com uma insígnia no peito com a mesma letra R.

— Uma menina tão novinha não devia se meter em assuntos que não lhe dizem respeito, não concorda meu bem? — A mulher toca meu rosto e passa sua mão por ele me acariciando. Eu me afastei bruscamente dela — ora, quanta hostilidade, eu não lhe quero mal menina, pelo contrário, quero que você venha comigo.

— Madame, o que está fazendo? — Perguntou um dos Rockets.

— Você não reparou? A jóia reagiu quando esta linda menina entrou, ela é a chave para activar a Ice Sphere o que me leva a acreditar que ela tem alguma ligação com a miragem do gelo, Articuno.

A minha reação ao ouvir aquele nome a fez perceber que estava certa, minha vida estava em perigo mais uma vez porque eu não resisti á minha curiosidade, se querem saber o que aconteceu a seguir, fiquem ligados e não percam o próximo capítulo.


1 comments :

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Boo
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25 February 2015 at 15:05 delete

Finalmente o passado da Katie, desde a primeira aparição dela na historia se mostrava um segredo a vista. A historia dela é bem triste e forte, por mais que tenha tido realmente alguma culpa no que aconteceu, era uma criança, não poderia ser julgada por isto, os pais dela foram extremamente cruéis, a deixando em uma montanha de gelo para morrer.
Gostei de como ela aprendeu a dominar o gelo, afinal não é que ela não tinha talento, apenas não era boa com energia psíquica, e sim com gelo, encontrar Articuno a salvou. No fim um encontro com a team rocket, e novamente a curiosidade a traindo, estou gostando deste mistério da team rocket estar a buscar os birds também. A historia segue muito boa.

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