#08 - The Flower of Hope!



          Mt. Moon, uma montanha mística que, segundo lendas de folclore, surgiu na terra em forma de meteorito vindo da lua, durante séculos, esta montanha foi tida como fonte de um poder misterioso, com suas mil salas e túneis diferentes, um lugar mágico para os habitantes deste nosso mundo. Mas hoje, esta mesma montanha serve de arena de combate entre os membros das guildas Squirtle Shell e Fearow's Beak.

          A longa batalha começou quando a Fearow's Beak perseguia Yellow, uma garota que é para todos um mistério, esta foi ajudada por Ash da Squirtle Shell que a levou para a sua guilda. Após um ataque surpresa os Sinis Trio invadem a guilda de Pallet e conseguem raptar a garota, o que leva os nossos heróis até Cerulean, onde a resgatam. Os ataques entre as duas guildas se sucediam, até que a batalha final começou nesta mesma montanha.

          Mt. Moon, uma montanha mística que, segundo lendas de folclore, surgiu na terra em forma de meteorito vindo da lua, hoje é palco da batalha entre duas guildas, dois combates terminaram com vantagem para Squirtle Shell, mas um destes ainda decorre.

          Ace, conhecido como o líder do Sinis Trio, o fenómeno da natureza que controla os ventos, enfrenta Ash Ketchum, o rapaz que jurou proteger Yellow, em uma luta desigual, os cristais que enfeitam aquela sala iluminam o estado da batalha, Ash mal se consegue por de pé enquanto o seu oponente prepara mais um dos seus ataques, os ventos correm para trás e para a frente com imensa força, os olhos de Ace mostram o seu estado de concentração, ele está preparando o seu ataque final, aquele que lhe dará a vitória.

       — Este poder é incrível... tsk, droga, eu tenho de a proteger, não posso deixar que ele me vença... custa-me a respirar com a força deste vento, minhas pernas não me falhem agora... — Ash fazia um esforço para que os ventos não o levassem, as dificuldades eram muitas, mas o garoto mantinha o seu espírito.

       — Ventos do norte, ventos do sul, ventos de este, ventos de leste, força dos céus, dos mares, dos vulcões, invoco toda a força da natureza... esta é minha última técnica e também a mais poderosa, sinta-se lisonjeado, você é o primeiro que me faz usá-la, sinta o poder da natureza... Ash Ketchum...Ultimate Storm! — Ace solta um grito de guerra, libertando toda a sua aura naquela sala, um raio de energia é lançado pelas mãos do membro da Sinis Trio contra Ash.

        — Ash! — Yellow grita pelo companheiro, ao vê-lo ser atingido no peito pelo movimento de Ace, o rapaz nem se conseguiu desviar, ele é projectado para trás e cai no solo inanimado — na-não... Ash... — lágrimas começam escorrendo pelo rosto de Yellow, o seu amigo havia sido vencido.

        — Ele continua vivo, eu não tenho razão para lhe tirar a vida, mas ficará adormecido durante vários dias — disse Ace caminhando na direção de Yellow — eu sei o que você está sentindo.

        — Que quer dizer?

        — Você sente que isto é sua culpa, que ele se sacrificou para a proteger, mas saiba que nada do que se passou aqui é culpa sua, este confronto estava destinado a acontecer, tudo está escrito, você não tem culpa de nada — Ace coloca a mão na cabeça da jovem Yellow.

       — De-destinado?

       — Ninguém controla o destino, eu já fui como você, há muito tempo atrás...

       Ace começa se recordando da sua infância, ele era apenas uma criança, mas viu sua cidade sendo dizimada pela grande guerra que assolou o mundo, dez anos atrás.

     O céu estava coberto por densas nuvens negras causadas pelas chamas da destruição, as crianças da cidade haviam sido levadas para uma caverna onde ficariam seguras, a maioria havia perdido os seus pais na guerra, a tristeza da perda os desolava, tão novos e já tinham de lidar com tamanha injustiça, uma destas crianças era Ace, ele havia presenciado a morte de seu pai, atingido por um míssil quando tentava resgatar uma outra criança de um prédio em chamas.

    As lágrimas tomavam conta do rosto do jovem Ace, aquela imagem ele não conseguia esquecer.

     — Não chore Ace, seu pai não iria gostar de o ver desse jeito — uma gentil jovem com não mais de 20 anos tentava confortar o rapaz, ela tinha sido encarregue de levar as crianças para um lugar seguro. Na verdade ela também estava assustada, mas não o podia demonstrar, as crianças contavam com ela — meninos, vamos fazer um jogo, me contem, o que é que vocês gostariam de ser quando crescerem?

     As respostas variavam, bombeiros, policias, veterinários, médicos, mesmo com dificuldade, as crianças iam respondendo e se distraindo um pouco do que os rodeava, menos Ace, ele continuava sozinho no seu silencio, tentando secar as lágrimas.

     — E você Ace? Tem algo que gostaria de fazer quando crescer?

     — Que importa isso? Nós não vamos nos salvar desta guerra.

     — Ace... não diga isso, claro que nos vamos salvar, os adultos estão combatendo pelo nosso futuro — disse a garota, nem ela mesmo acreditava nisso.

     — Meu pai dizia que eu iria ser um grande guerreiro, que cruzaria os céus e iria conhecer o mundo, como ele, mas ele não está mais comigo, então qual é o meu futuro? — O garoto falava de forma rude, a raiva no seu olhar penetrava a alma daquelas crianças, menos uma garotinha da mesma idade.

     — Meu pai disse que ele irá lutar pelo nosso futuro — disse essa garotinha de cabelos ruivos, com um sorriso no rosto e uma planta na mão — isto é um dente-de-leão. Esta flor é o símbolo da liberdade, da luz e da esperança, ela veio com o vento para nos trazer esperança, pegue-a.

      — Eu não acredito em esperança, olhe para o mundo, ele está sendo destruído por aquelas armas, nós vamos todos morrer — Ace corre chorando e gritando para fora da caverna, ao sair ele depara-se com soldados inimigos sorrindo de forma maliciosa.

        — As crianças estão aqui, disparem — ordenou um soldado, logo um míssil caiu em cima da caverna.

        Ace olha para trás e vê o esconderijo sendo destruído da mesma forma com que ele perdera seu pai.

        — Obrigado por nos mostrar onde estavam os seus amiguinhos garoto — ironizou o soldado.

        De repente uma sombra surge do nada quando Ace estava prestes a ser atingido pela arma do soldado, esta sombra o derruba facilmente.

        — Tsk, quem é você? Se mostre covarde! — Gritou o militar, apontando a sua arma.

        — Covardes são aqueles que envolvem crianças em disputas politicas de adultos e ainda por cima precisam usar armas para se sentirem superiores — um homem de longos cabelos prateados e vestes púrpura surge por entre os arbustos.

        — Você? Nascour? Aqui? — O soldado se mostrava indimidado.

        — Isto ultrapassa toda a ganância humana, isto é pura maldade, seres assim não merecem o dom da vida — dito isto, os aviões inimigos se despenham ao longo da floresta.

       — O-o que é que você fez seu monstro?! — O militar estava chocado com o que via, dezenas de aviões caiam sobre a floresta, o seu comunicador deixava de ter resposta.

      — Monstro você diz? Talvez eu seja um monstro, no entanto eu não deixarei que maltratem esta criança, vocês não têm esse direito.

     — Cale essa boca! — O soldado dispara a sua arma contra Nascour, mas este usa a sua velocidade para se desviar — fast... — o homem nem o viu chegar, Nascour coloca a mão junto do seu peito e profere umas palavras no seu ouvido, antes de o derrubar com um golpe que o faz cair no solo sem vida.

     — Não se culpe pelo que aconteceu aos seus amigos, você não teve culpa — disse Nascour caminhando para junto do pequeno Ace.

     — Se eu não tivesse saído a correr, se eu tivesse me comportado como um homem, eles estariam vivos, estaríamos todos a salvo, eu me portei como um bebé chorão e agora eles pagaram por isso... — Ace estava em lágrimas, ajoelhado no solo.

     — O que aconteceu estava destinado, ninguém controla o destino, a culpa não é sua — Nascour tenta confortar o garoto e repara na flor que ele tem na mão — isso que você tem na mão, sabe o que é?

     — Huh? — Ace olha para a planta que aquela menina lhe havia dado e se lembrava das suas palavras.

    — Isso é um dente-de-leão, sabia que ele simboliza a esperança e a liberdade?

    — Esperança...

    — Essas flores voam com o vento e trazem a esperança aos outros, guarde-a e tenha sempre esperança garoto.

     Ace olha para trás, mas Nascour havia desaparecido, ele volta a olhar para o dente-de-leão, a flor da esperança que ainda hoje a guarda, enquanto confortava Yellow, se relembrando do passado.

    — Ninguém pode lutar contra o destino, agora venha garota, não combata mais aquilo que tem de ser, não adianta.

    — Sempre adianta combater pelo que acreditamos...

    — Huh? — Ace olha para trás e vê Ash se levantando de novo — não é possível...

    — Ash! — Yellow soltava um grande sorriso.

    — Você e suas palavras sobre destino podem colocar uma meia na boca, eu lutarei sempre pelos meus ideais — o corpo de Ash começa a libertar uma aura amarela, coberta de faíscas — eu ainda não disse minha última palavra... Thunder Punch! — Ash se lança contra Ace com o seu punho electrificado na direcção de Ace.

    — Você é demasiado teimoso, desista de uma vez... Hurricane! — Asas de vento surgem nas costas de Ace, batendo a uma velocidade incrível, produzindo um mega tornado que envolve Ash.

    — Eu nunca irei desistir! — Dentro do tornado, Ash tentava o perfurar, mas os ventos eram fortes de mais e feriam o seu corpo.

    — Ash... toda a gente está lutando pela pi... a pi não irá mais chorar...AAAASH! —  Electricidade começa a ser expelida do corpo de Yellow, ela é lançada para Ash.

     — Huh? Sinto o meu corpo se recarregando... Yellow? — Ash se questionava a fonte do poder que tomava o seu corpo.

    — Ataque Ash! — Gritou Yellow.

   — Certo... Vamos a isso! — Com o seu corpo envolto em electricidade, o rapaz perfura o tornado na direcção de Ace que estava no centro.

   — Não é possível! — Sem conseguir se defender, Ace é atingido em cheio no peito pelo punho de Ash, a electricidade toma conta do seu corpo, o fazendo parar o tornado, os dois guerreiros ficam juntos, com as cabeças nos ombros do oponente, Ace se lembrava do seu passado, do seu pai, daquelas crianças, de Nascour e deixou escapar um sorriso antes de cair para trás, deixando Ash em pé. O combate havia terminado.

     — Ash, você conseguiu! — Yellow corre para abraçar o amigo, este retribui, até que se ouvem aplausos vindo de umas escadas no fundo da sala.

     — Muito bom garoto, você venceu um dos meus melhores guerreiros, mas... — o dono da voz se revela, professor Louis Pine, o mestre da Fearow's Beak, ele aplaudia o esforço de Ash — ... será que me consegue vencer a mim?

     — Professor Pine... — Ash coloca o braço na frente de Yellow, o seu olhar fica focado no mestre da guilda rival.

     Ao mesmo tempo, na sala onde Katie havia enfrentado Lavana, uma garota de cabelos ruivos aparecia em cima de um pilar que havia se mantido de pé após a luta das duas. Era Misty, ela estava com um olhar intenso. Pois é, o Sinis Trio havia caido, mas a batalha com a Fearow's Beak ainda iria durar, pois o seu mestre decidira lutar. Estarão Ash e Katie preparados para mais um confronto? Não percam o próximo capítulo.


     

1 comments :

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Boo
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25 December 2014 at 10:46 delete

Incrível, muito bom, o melhor capítulo da historia disparado. A forma como a parte dramática e a parte de ação se combinaram e funcionaram juntas mostra como a historia foi bem pensada e a ideia bem executada.
Era difícil superar as lutas anteriores, principalmente Brock vs Heath que tinha sido muito boa, mas a inclusão do elemento dramático elevou Ash vs Ace a outro nível.
O passado de Ace explica os motivos do seu fatalismo, sua aceitação do destino, além de mostrar mais sobre o que aconteceu há dez anos na guerra, e mostrar um guerreiro estranho que o salvou.
Foi muito bom ver Ash dando coragem a Yellow e ela se esforçando para ajudá-lo e juntos eles terem conseguido vencer Ace, foi um grande final, a batalha foi épica.
O final também surpreendeu, imaginada que teriam descanso, que a luta tinha chegado ao fim, mas o próprio líder da guilda apareceu para os enfrentar.

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